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Evento discutirá tipos raros de câncer em Pernambuco

Sem dúvidas você já ouviu falar sobre o câncer de mama, de cólon ou de ovário. Porém, há outros tipos de câncer que poucos conhecem e aos quais deveríamos estar atentos. O Sarcoma e o Melanoma serão discutidos em evento científico, no dia 10 de novembro, no JCPM, no Pina.

O melanoma trata-se do mais grave tipo de câncer de pele, que se origina nos melanócitos, células produtoras de melanina (substância que determina a cor da pele). Ele é especialmente perigoso porque tem uma capacidade considerável de se disseminar para outros tecidos do corpo e tem, entre suas causas, a exposição excessiva ao sol. 

Os primeiros sinais e sintomas de melanoma geralmente incluem a mudança de uma mancha ou pinta existente, ou o desenvolvimento de uma nova de formato estranho e muito pigmentada, além de coceira, comichão, sangramento e a não cicatrização da área.

Algo importante na avaliação de uma lesão suspeita é o ABCDE de um sinal cutâneo. Quando presentes são um alerta para que as pessoas procurem imediatamente um dermatologista. A - assimetria (uma extremidade diferente da outra); B - bordas (irregulares, não lineares); C - cor (tonalidades diferentes numa mesma lesão); D - diâmetro (maior que meio centímetro); e E - evolução (lesão que muda de aspecto em curto espaço de tempo).

O diagnóstico é feito pela avaliação clínica e biópsia do tecido suspeito e o tratamento depende do tamanho e estágio do câncer, mas as opções são: cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapia biológica ou imunoterapia. Quando descoberto e tratado em suas fases iniciais, o melanoma tem mais de 90% de chances de cura.

Vale ressaltar que, como os outros tipos de câncer de pele, o melanoma pode ser prevenido, evitando-se a exposição ao sol no horário das 10h às 16h, quando os raios são mais intensos, e utilizando fatores de proteção como chapéu, guarda-sol, óculos escuros e filtros solares.

Os sarcomas são um conjunto específico de tumores que acometem estruturas como vasos sanguíneos, linfáticos, ossos, músculos, tecido gorduroso, nervos, cartilagens, pele e tendões. A doença, que pode ser óssea ou de partes moles, faz parte de um grupo de tumores malignos que representam cerca de 1% dos casos de câncer em adultos.

Em geral, mais da metade dos sarcomas moles começam no braço ou na perna. O paciente, em sua grande maioria, é acometido por um caroço que cresce durante semanas ou meses, mas que só causa dor quando atinge grandes dimensões e já provocou algum tipo de dano sensório ou motor. É aí que mora o perigo, pois muitos pacientes demoram a buscar ajuda médica e o diagnóstico precoce é fundamental para o êxito do tratamento. Já no sarcoma ósseo, os sintomas podem incluir dor nos ossos, inchaço e sensibilidade perto da área afetada, fadiga, febre e etc.

“Quando operados precocemente, entre 70% e 80% dos pacientes são curados com cirurgia combinada a outras modalidades, a depender das características do tumor, tais como localização, diâmetro, grau de diferenciação, ressecabilidade, idade do paciente, presença de outras doenças e etc”, explica o pernambucano Gustavo Godoy Almeida, Doutor em oncologia pela USP e organizador do evento.

Qualquer lesão em subcutâneo (caroço por baixo da pele) deve ser avaliada por um especialista (cirurgião oncológico ou ortopedista especialista em tumores) pela possibilidade de se tratar de um sarcoma. Não é raro o paciente remover uma lesão como esta e o cirurgião não enviar o material para estudo por considerar tratar-se de um lipoma (tumor benigno de gordura) e a lesão reaparecer no local operado quando, então, o médico encaminha a outro especialista, mas pode ser tarde demais.

O diagnóstico do sarcoma de partes moles começa com um exame físico. O passo seguinte são os exames de imagem, como a ressonância e a tomografia e, por último, a biópsia. O tratamento, por sua vez, é realizado através de cirurgia, radioterapia, quimioterapia e/ou terapia alvo. “Infelizmente, não há um padrão para o rastreamento ou a prevenção dos sarcomas, por isso é importante ter atenção aos sinais e procurar um médico assim que surgirem os sintomas”, alerta Dr. Gustavo.

O especialista ressalta que hoje existem novas opções de tratamento para ambas as doenças e que a incorporação de tecnologia está trazendo muitos benefícios aos pacientes, com drogas cada vez mais direcionadas às características específicas de cada tumor.

A cidade do Recife se destaca pelo complexo hospitalar (polo médico) e há pacientes que necessitam de tecnologia e especialistas para a resolução dessas patologias, mas não podem contar com isso em seus estados ou não podem ir para São Paulo por questões financeiras.  Por isso, surgiu a ideia da realização deste evento, que acontece pela primeira vez em Pernambuco, para tornar possível o acolhimento de pacientes provenientes de outras regiões avaliando suas necessidades, individualizando o tratamento, e realizando a contra referência para que, se necessário, sejam encaminhados para acompanhamento ou quimioterapia em seus estados de origem.